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Archive for fevereiro \07\UTC 2012

Viva a latureza

Por Edson Struminski (Du Bois)

Quando vim morar na cidade de Ponta Grossa, eu me referi a uma curiosidade que era o fato de que o acesso aos lugares turísticos e de escalada era fácil, era “só seguir as latinhas”, que era um modo como eu tentava demonstrar a relação das pessoas com o lugar.

O post mostrava a descontração que as pessoas sentiam ao sair de um núcleo urbano denso, regrado e carregado como Ponta Grossa e sua expansividade ao chegar na zona rural (com suas plantações de pinus, eucalipto e soja) e, em particular, em ambientes naturais não “ruralizados” onde podiam extravasar nas cachoeiras, rios, canions e paredes da região. O extravaso era tão grande que coisas saíam pela janela afora dos carros, ou para fora das mochilas: celulares, calçados, óculos, material para rapel e latinhas, muitas latinhas. Na cidade, se você joga fora uma lata logo aparece um catador e recolhe. O Brasil é um país onde a reciclagem de latas é forte, algo como 95%, mas na zona rural e nestes ambientes naturais este pessoal nem sempre chega. Então são latas, vidros e pets por  estradas, trilhas e cachoeiras da região.

Cada ida minha a estes lugares fazia com que eu trouxesse de volta algo como umas 70 latinhas,1 kgde alumínio, além de garrafas, plásticos, vidros, etc. Como comentei naquele artigo, em Ponta Grossa eu me sentia regredindo aos anos 1980, quando comecei a ir para as montanhas em volta de Curitiba e as pessoas ainda eram muito descuidadas com a natureza.

A viagem que o alumínio faz é longa e custosa entre a dura extração do minério da bauxita e o abandono em uma cachoeira ponta grossense. A bauxita é o terceiro mineral mais abundante na natureza. O Brasil tem grandes fontes desta que é a matéria prima mais usada para a produção do alumínio, então não teria porque a gente ficar se preocupando em reciclagem deste produto leve e ultraversátil, pois afinal toda reciclagem consome energia, gera poluição, resíduos, etc. Mas a bauxita tornou-se uma recurso natural muito valorizado, pois seu processo de refino continua sendo muito caro e dispendioso. São necessárias 5 toneladas de bauxita para produzir 1 tonelada de alumínio, além de uma portentosa quantidade de energia gasta no refino do mineral.

Se eu reciclo as latas eu pulo toda esta parte, pois a coisa toda resume-se no derretimento do metal já refinado, o que é muito menos dispendioso e consome muito menos energia do que produzir o alumínio pela  mineração e refino de bauxita, que requer enormes gastos de eletricidade, diesel, etc, enquanto que a reciclagem requer apenas 5% da energia para produzi-lo. Por isto, a reciclagem tornou-se uma atividade importante. O que estamos reciclando, na verdade, é a energia gasta na produção do alumínio a partir do minério.

A reciclagem de uma única lata de alumínio, pode economizar a energia necessária para manter seu computador ligado durante umas 3 horas. Durante um ano e meio eu coletei algo como 4000 latinhas (58 kg), que é como se 4 mil pessoas simplesmente despejassem este tipo de lixo nestes lugares e fosse embora sem se importar com toda a viagem que o alumínio fez até chegar nas mãos delas. É como se como 4000 computadores pudessem ficar 3 horas passeando na internet, inclusive no meu blog.

Então faça uma pequena parte nesta estória, recicle uma lata hoje!

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