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Archive for novembro \29\UTC 2011

Alerta! Escorpiões!

Por Edson Struminski (Du Bois)

Estava em uma via no setor de escaladas em uma pedreira abandonada do Bugre, um local a respeito do qual já escrevi há tempos atrás: um lugar que lembra a cordilheira dos Andes, com uma parede alta em concha semelhante a um circo glacial, efeito realçado por um belo lago artificial e pela presença de coníferas (pinus) que invadiram o lugar. Só falta a neve.

A rocha azulada de filito ou xisto tem pouca aderência. As paredes verticais são trabalhadas com regletes, fissuras, agarras invertidas. Há um ou outro diedro, microtetos. As rochas são quebradiças ou soltas em vários pontos, mas sempre é possível encontrar linhas viáveis em muitos lugares.

O lugar é calmo. É muito raro ver alguém por ali, embora sempre encontre algum lixo que denuncia a presença de pessoas que buscam o lago para banhos. Este lago impede o acesso à base da parede, assim, costumo rapelar e escalar com a corda de cima, pois como comentei, a pedreira ainda não é totalmente estável, existem muitas pedras soltas, dos mais diversos tamanhos

Não sei até quando esta pedreira vai continuar abandonada, servindo como meu playground particular de escalador, então trato de aproveitar.

Há um diedro particularmente bonito, bem definido com um negativo ao seu no final, que chega, neste ponto, a uns 50 metros do chão. A parede esquerda deste diedro é toda fraturada e apesar do aspecto estéril desta rocha, alguma vida animal se adaptou a este ambiente. É possível encontrar nestas fissuras uma morada para morcegos. Posso sentir o cheiro deles.

Para acessar o diedro, um das minhas escaladas favoritas neste lugar, tenho de subir uns 25 metros de uma parede vertical, com agarras invertidas e posições difíceis que finalizam em uma agarra chave, onde se inicia outra sequência.

Mas a agarra chave, como tantas outras neste lugar, era apenas uma laca e quebra em sua maior parte, deixando apenas uma pequena porção, que ainda pode ser usada.

Bem, nesta porção que sobrou, ou seja, escondido abaixo da agarra que quebrou, apareceu um pequeno escorpião amarelado. Já é a segunda vez que avisto este tipo de animal por ali, embora em um prazo extenso (5 anos).

Os escorpiões são artrópodes invertebrados, que pertencem à classe dos aracnídeos. Existem 1600 espécies (e subespécies) de escorpiões catalogadas em todo o mundo. No Brasil, são encontradas cerca de 140 espécies. Possuem hábitos noturnos, vivem em locais escuros, quentes e úmidos. Na região urbana, são encontrados em locais com entulhos, pedras, dentro de sapatos, junto a roupas, etc. O avistamento deste bicho aconteceu apenas uma semana depois de eu saber, que na mesma região (escarpa de São Luis do Purunã), um outro escalador foi picado por um animal deste, mas sem consequências graves.

Dos escorpiões, o escorpião amarelo (Tityus serrulatus), é um dos de maior incidência e o mais perigoso. É um escorpião típico do Sudeste do Brasil, com cerca de 6 cm de comprimento, que apresenta coloração amarelada especialmente nas patas. Comenta-se que esta espécie não seria nativa do Paraná e teria vindo por meio de mudanças ou escondida em cargas. Nos sites que eu consultei consta que a periculosidade da picada é responsável pela maioria dos acidentes escorpiônicos no Brasil.

O veneno de todos os escorpiões tem efeito neurotóxico, ou seja, age no sistema nervoso. A picada é extremamente dolorosa, provoca dor intensa no local afetado e se dispersa por todo o corpo, levando a vítima a um estado de hiperestesia, ou seja, fazendo com que o doente fique extremamente sensível ao menor toque em todo o corpo. A ação neurotrópica da peçonha age sobre a região do encéfalo que controla os movimentos respiratórios e cardíacos, além dos movimentos peristálticos, mas sua ação é específica sobre a região do bulbo controladora da respiração, o que faz com que a vítima possa morrer por parada respiratória. O detalhe é que esse escorpião por natureza nos ataca ao se sentir ameaçado.

Em caso de picada de um escorpião, deve-se lavar o local com água e sabão e levar a pessoa até um posto de saúde ou hospital. Mas ainda não existe vacina. A pessoa deve ficar em observação. Se algum escalador ou montanhista souber de mais alguma local onde se encontre este animal, por favor relate aqui.

Veja um blog com dicas sobre escorpiões da UFMG :

http://www.ufmg.br/naondadavida/?p=658

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