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Archive for janeiro \29\UTC 2008

Pré-história por água abaixo

Edson Struminski (Du Bois) 

Porto Amazonas é uma pequena cidade às margens do rio Iguaçu, rio este que, para os paranaenses, possui a mesma importância que o Tietê para os paulistas ou o Paraíba para os cariocas, ou seja, um rio que era um pouco de tudo, via de transporte, fonte de água, de energia, de esperanças de uma população.

A cidade teve um passado exuberante. Primeiro porto navegável do rio Iguaçu em direção ao interior do Estado, viveu seu auge no período entre os anos 1920 e 50, época da exploração da madeira e da erva-mate, ambas exportadas para outros países. Balsas a vapor desciam o rio levando estas riquezas embora.

O passado desta cidade é mais antigo do que isto. No período do tropeirismo, um dos cruzos do rio Iguaçu era em Porto Amazonas. Os tropeiros eram criadores e condutores de gado que vinham dos campos do Rio Grande do Sul para São Paulo. Depois este gado seguia para alimentar a região do ouro de Minas Gerais. Estes caminhos do gado começaram a ser abertos no século XVIII e funcionaram até meados do século XX.

Os campos existentes na região passaram a ser utilizados como invernadas para recuperação dos animais ao longo deste longo e penoso trajeto. Como conseqüência, a pecuária tornou-se a atividade econômica predominante na região, que passou a contar com lugarejos para atender essa demanda e que foram os núcleos formadores das cidades de Lapa, Jaguariaíva, Castro, Ponta Grossa, Palmeira ou mesmo Porto Amazonas. Aliás, Romário Martins (1995), historiador paranaense, considera que o comércio e criação de gado teve influência decisiva no povoamento do território paranaense, ao fixar populações. Durante o império brasileiro uma ponte de pedra chegou a ser construída no Iguaçu em um trecho onde o rio abandona sua largura normal (de uns 100 metros) para cerca de 20, intercalado com pedras. Neste local há uma bela corredeira, o Salto do Caiacanga e a ponte era para facilitar a passagem de tropas.

Também podem ser encontrados na região trechos da antiga ferrovia que margeava o rio e foi construída primordialmente para explorar as monumentais florestas de pinheiro que existiam ao longo do vale do Iguaçu.

Nos anos 30 a exploração do mate começou a entrar em decadência e nos anos 60 foi a madeira que começou a acabar. Porto Amazonas passou de 20 para 5 mil habitantes. Hoje se sustenta  basicamente com a fruticultura.  

Em busca do passado 

Chego a esta cidade em uma sexta-feira em companhia de um amigo, arqueólogo, que veio em busca de vestígios de habitantes pré-históricos, em uma área de uns 75 hectares que será inundada para a construção de uma PCH, pequena central hidroelétrica, de uns 30 MW que irá fornecer energia para uma fábrica de papel.

Após alguns contatos com pessoas do município começamos a rodar em busca de material. Achamos algo em uma área de lavoura recém revirada. Talvez um acampamento pré-histórico. Lascas e alguns possíveis objetos de pedra, mas nada conclusivo em função da ausência de cacos de cerâmica, que evidenciam, sim, a presença humana sem margem de dúvidas, como meu amigo me explica. Passamos a outra área coberta com campos mas as dificuldades aumentam. Na verdade existe a necessidade de se fazer um exercício mental de volta no tempo não só na busca de material, pois o próprio rio Iguaçu estava bem mais alto no seu trajeto do que hoje, assim os eventuais assentamentos humanos (acampamentos, vilas) estavam em lugares que hoje estão no meio das colinas e que antigamente (2000 anos atrás) eram a beira do rio.

Tudo isto soa um pouco estranho mas dá a medida das dificuldades com que um arqueólogo se debate em campo. Mais confuso que isto é tentar entender o que aconteceu no Salto do Caiacanga. Existe um canal paralelo às corredeiras que eleva a água até uma PCH dos anos 1950 (5 MW) e que cria com isto uma ilha e uma cachoeira artificial. Esta PCH é a que funciona hoje. No meio desta ilha existe uma construção de uns 3 andares que parece ser uma outra PCH. Ela possibilita um espetacular ponto de visão. Encontro um gerador trifásico italiano sem data soterrado pela areia e degraus de ferro que levam até o rio. Ninguém sabe dizer de quando é aquela construção, talvez do início do século XX. Um pouco antes dela existem pilares da tal ponte que teria sido construída no tempo do império. Subindo a encosta, sinais inequívocos de que manadas de animais teriam passado regularmente pois um trecho do campo está totalmente afundado. Um possível trecho do caminho dos tropeiros, como afirma meu amigo.

É bem provável que boa parte desta significativa concentração de construções históricas que eu descrevi até agora acabe ficando embaixo d’água sem maiores possibilidades de registro ou recuperação. Vestígios pré-históricos, PCHs antigas, pilares da ponte, trechos do caminho dos tropeiros.

A paisagem em geral é bela e tranqüilizante sem ser espetacular e fico me perguntando se a perda de parte da memória de um povo e uma bela paisagem de uma pequena cidade de interior vale alguns MW a mais para movimentar uma fábrica de papel, sem maiores retornos para esta população do que um eventual aumento de recolhimento de impostos e alguns benefícios transitórios. Na verdade é uma pergunta que deveria ser feita a todos os moradores desta cidade, mas nem sempre isto é feito, ou muitas vezes é feita de forma a minimizar as perdas, o que aliás é um exercício lícito e necessário quando se fazem estudos de construções deste tipo. Por outro lado muitas vezes os moradores estão simplesmente desinteressados em preservar um patrimônio histórico que está em uma área particular, sendo que o próprio proprietário pode revelar pouco interesse pelo assunto.

Além disso, poderíamos pensar, existem outras construções e paisagens mais significativas, a ferrovia tem outras passagens bonitas, o rio também, o caminho dos tropeiros continua. Há outros objetos enterrados por aí. Tudo isto demanda atenção.

Continuo acompanhando meu amigo. Ele resgata um pilão de pedra pré-histórico com um morador local e vejo seu esforço em tentar incentivar as autoridades locais a montar uma casa da memória. Deverá voltar lá em março para apresentar os resultados da sua pesquisa.

O sábado amanhece chuvoso e nos despedimos desta pequena cidade na beira do rio Iguaçu.  

BIBLIOGRAFIA 

MARTINS. R. História do Paraná. Curitiba: Travessa dos Editores, 1995.

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Edson Struminski (Du Bois) 

Dias atrás Bernardo Collares da FEMERJ mostrou sua preocupação com a possibilidade de determinados serviços serem terceirizados em unidades de conservação, particularmente em parques freqüentados por montanhistas. O temor de Bernardo está relacionado com a possibilidade de que a mobilidade dos montanhistas se veja limitada pela obrigatoriedade de contratação de guias.

Como já tive a oportunidade de escrever algo sobre a contratação de guias, em um artigo que está neste blog, no artigo que vocês lerão agora estarei tratando mais especificamente sobre a terceirização e alguns dos seus fundamentos, além do que ela pode trazer de bom ou ruim para os temas fundamentais levantados por Bernardo, que são os embates entres dois princípios, o da liberdade e o da autoridade.

A terceirização não é nenhuma novidade em termos de gestão dos assuntos públicos. Ela é vastamente utilizada para suprir necessidades administrativas do Estado sem que seja necessário aumentar o ônus da sua manutenção com excessos de contratações, algo que incha a máquina pública e gera um peso sobre a sociedade, que é quem paga a conta final e depois reclama. Ela permite também a transmissão de recursos do Estado para a iniciativa privada. Nestes sentidos a terceirização é boa. Ela está presente em coisas banais, como limpeza e jardinagem, passa por assuntos que exigem alto nível de especialização, como serviços técnicos e aparece até mesmo, historicamente, em assuntos extremamente sensíveis para a segurança de um povo, como a terceirização de exércitos (mercenários), ainda que com resultados duvidosos.

Conforme o serviço terceirizado prestado, ela pode esbarrar em dois princípios aparentemente conflitantes, mas que não são excludentes: o princípio da liberdade e o da autoridade.

A discussão sobre estes dois princípios, o da liberdade e o da autoridade foi recorrente durante o século XIX (1) e seguem nos dias atuais. De um lado tínhamos aqueles que defendiam a idéia de liberdade como um direito natural do ser humano. Os pensadores liberais sustentavam que a autoridade devia se limitar a assegurar o direito à liberdade aos cidadãos  e garantir livre consciência. A liberdade deveria, portanto, ser assegurada diante do autoritarismo, ou, em casos extremos, da própria tirania do Estado.

Mas o liberalismo proposto por estes intelectuais não era necessariamente participativo, como nas sociedades liberais dos gregos antigos, onde os cidadãos decidiam as próprias leis que estavam dispostos a cumprir e sim significa o poder de agir, dentro de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, mas dentro dos limites impostos por normas definidas, praticando tudo quanto não é proibido por lei, ou seja, em respeito a uma autoridade. Assim se um cidadão se sente restrito por uma lei, só lhe resta eleger representantes (democracia representativa), ou trabalhar através de instituições que possam modificar estas leis.

O princípio da autoridade que apareceu neste mesmo período surgiu para corrigir os excessos do liberalismo sem controle (o liberalismo revolucionário tão comum no século XIX). A autoridade seria exercida por pessoas possuidoras de conhecimento (engenheiros, advogados, médicos, etc), que utilizariam estes conhecimentos para guiar o restante da sociedade em uma trilha de progresso. O governo seria assim uma questão de competência, da aplicação do saber científico. Consequentemente o individualismo seria limitado e os atos da vida estreitamente regulados.

O século XX foi o período em que pudemos assistir com mais ênfase o resultado dos embates entre estes dois princípios. Apareceram vários “ismos” (socialismo, nazismo, fascismo, etc) que resultaram em duas grandes guerras e em outras menores. No Brasil, o Estado Novo capitaneado por Getúlio Vargas conferiu uma grande autoridade ao Estado. Curiosamente foi exatamente este Estado autoritário que criou nossas primeiras unidades de conservação nacionais (veja a matéria sobre os 70 anos de Itatiaia no blog), transpondo a conservação da natureza para um patamar público até então ignorado pela nossa tradição política liberal conservadora. Estes espaços públicos tornaram-se hoje ironicamente espaços de debate entre os princípios da autoridade e da liberdade.

Conforme é fácil perceber, a terceirização passa a ser usada, então, como uma forma do Estado exercer sua autoridade sobre um bem público (um parque nacional), aplicando competência e saber científico para a execução de alguma ação pública. Se eventualmente ela cria uma norma (como a de contratação de guias) surge a obrigatoriedade de seu respeito (dentro dos fundamentos atuais da nossa sociedade liberal), caso em que pode surgir um conflito, pois a liberdade individual se vê restringida.

Não existe uma saída única para este impasse e tampouco uma resposta única à resolução deste problema. Por princípio a autoridade tente a uniformizar todo o processo e ignorar as particularidades (individualismos). A imposição de guias pode ser necessária em locais onde a sociedade simplesmente demonstra menos conhecimento sobre a fragilidade de uma unidade de conservação do que os guias cadastrados pelo Estado. Em outros locais a sociedade pode estar organizada de modo a contribuir mais com estes locais do que o próprio Estado ou suas entidades terceirizadas. Existirão situações em que os indivíduos simplesmente não reconhecerão a autoridade do Estado e descumprirão normas, como é tão comum, com perda para ambos os lados, ainda que aparentemente a liberdade individual se veja contemplada.  

Desta forma não existe uma conclusão para este assunto. Isto é algo para vocês leitores continuarem a pensar. De modo geral pode-se dizer que qualquer norma que restrinja a liberdade individual torna-se desnecessária, pois a conservação da natureza já está contemplada de forma ampla e geral na legislação vigente, à qual qualquer cidadão já está, de qualquer modo, obrigado a cumprir. Resta-nos procurar aplicar o bom senso a cada caso. 

LEIA MAIS EM: 

WINOCK, M. As vozes da liberdade, os escritores engajados do século XIX. Bertrand Brasil. Rio de Janeiro, 2006.

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Edson Struminski (Du Bois) 

Ultimamente toda vez que estou tranqüilo demais aqui no morro Anhangava, onde moro, aparece o Ermínio, parceiro de umas tantas escaladas, para sacudir o comodismo que é, para mim, escalar no conforto do granitinho conhecido do quintal da minha casa. Desta vez o convite é para escalar em móvel no arenito do Setor 3 de São Luiz do Purunã, no lado oposto da região metropolitana de Curitiba, onde moro. Para chegar lá só saindo de manhã e atravessando os cem quilômetros que me separam deste lugar, mas eu enfrento a maratona de boa vontade.

A escalada em móvel sempre teve algo de revolucionário. Peças que são colocadas em fendas e retiradas no fim da escalada sem ferir a rocha e sem deixar marcas da passagem. A própria idéia de renunciar a ter um monte de coisas fincada na rocha apenas para “dizer que passou”, ou “dominou” a montanha, já significou algo diferente no mundo da escalada.  Do ponto de vista ético representou uma notável integração do ser humano com a natureza. Isto já desde os anos 1960, quando mal e mal se começava a falar em ecologia.

Os únicos lugares onde já tinha tido a oportunidade de escalar vias em móvel em grande quantidade foi em alguns lugares que conheci na Argentina e no Chile. Com alguns amigos cheguei a abrir um setor novo em uma praia do sul do Chile, na beira do Oceano Pacífico e posso entender a sensação maravilhosa de descobrimento que os escaladores do Setor 3 devem ter sentido.

Que valores este tipo de escalada pode trazer para nossas vidas? Faço esta pergunta para mim mesmo inspirado em uma monografia gentilmente enviada por Camila Santos de Armas (1) que trata de tema semelhante. Nesta monografia aparecem a liderança, o companheirismo, a superação de dificuldades ou mesmo a consciência ambiental como valores trazidos do mundo da montanha para o cotidiano de algumas das pessoas entrevistadas por ela.

Volto agora ao Setor 3 e ao Ermínio. A paisagem aqui é radicalmente diferente daquela que vemos na Serra do Mar. Em vez de florestas, campos, no lugar de montanhas altas, chapadões abruptos que descem. Caminhamos cerca de uma hora entre campinas a perder de vista, plantações de soja, charcos. Nos locais onde a interferência humana não alterou a paisagem de todo a sensação é de calma, solidão e uma vastidão de horizontes como a que encontramos nos canions do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. “Mundão véio sem porteira”, como na expressão popular.

São Luis é, na verdade, o fundo de um antigo mar que existia quando a África ainda era unida à América. Quando os continentes se separaram, o gigantesco movimento de deriva continental foi empurrando e elevando o assoalho do antigo oceano existente nesta região, até uns 1.000 metros de altitude, afundou o centro do continente na região do Pantanal e, ao mesmo tempo, começou a formar a cordilheira dos Andes na região que costeia o Oceano Pacífico. Milhões de anos de erosão e outros movimentos cortaram o arenito e apenas as formas mais resistentes sobreviveram e são as que estão hoje na paisagem. 

Escalando no setor 3 

A primeira impressão de um lugar de escaladas destes, para um escalador que freqüenta tradicionalmente o granito, é a da que vai exigir muita força bruta. Parece tudo muito esportivo, muito difícil, muito vertical, muito sei lá o que. O topo da escarpa é esticado uns 3 metros além da base  e praticamente não chove na parede. Há um vasto sistema de fendas por todos os lados, o que torna a linha das vias confusa, pois não existem grampos que indicam para onde ir. A maioria das vias parece invariavelmente possuir alguma passagem negativa ou com pequenos tetos, o que dificulta a visualização. Além disso a aderência da rocha não é tão boa como no granito. A graduação de dificuldades, também não diz muita coisa para quem não é acostumado a escaladas tão verticais.

Por outro lado, à medida que vou entrando nas escaladas, vou percebendo que existem alguns “bônus” que podem ser aproveitados. As fissuras não possuem cristais como no granito e são muito confortáveis e seguras para encaixar a mão. O arenito é compacto e a colocação das peças, de modo geral, é bem confiável.  Edemilson Padilha, um dos pioneiros deste setor, comenta que é muito mais trabalhoso escalar desta maneira, mas que é a essência do montanhismo, representando um tipo de “escalada de aventura” (2).

Vamos experimentando as vias. Guio algumas e Ermínio outras. Curiosamente vejo meu corpo se encaixando nas posições mais improváveis. Aparecem descansos em locais inesperados nestas paredes verticais e agarras escondidas. Aprendo que tenho que usar sabedoria e moderação para chegar com proteções suficientes até o final das vias depois de dobrar tetos seguidos.

 Valdecir Machado no Diedro de Isó

Aos poucos começo a me acostumar com a idéia da possibilidade de escalar neste tipo de rocha. Vou vencendo meus preconceitos à medida em que as vias vão sendo feitas. Chego ao final do dia cansado mas não “tijolado” como esperava. Os braços resistem até o fim. Consegui usar na medida certa, sabedoria e moderação. 

Lições para a vida 

Muito se tem dito a respeito dos ensinamentos que a escalada traz para a vida das pessoas. Podemos fazer analogias entre os obstáculos da vida e da escalada. Cursinhos para executivos pululam por aí tentando explorar esta analogia, geralmente visando realçar a vitória ou a conquista. Claro, tudo isto resulta em uma simplificação muitas vezes grosseira, mas seguramente se pudéssemos usar sabedoria e moderação em maior quantidade em nossas vidas seria muito interessante, mesmo que isto não pareça tão radical quanto a imagem de alguém fazendo uma via no Setor 3 sugere. O impulso, a força de vontade, o estímulo do companheiro ou companheira são fundamentais para se iniciar algo, seja uma escalada (particularmente uma escalada em móvel), seja um novo projeto de vida.  

Mas tomar a frente na ponta da corda ou na vida pode se revelar muito solitário, uma frente que pode ser longa e para que possamos chegar ao fim do que iniciamos, na cordada ou na vida, sem nos machucar, nem machucar ninguém, me parece que sabedoria e moderação são essenciais. Como seria bom se pudéssemos tê-las sempre na quantidade certa! Quanto sofrimento poupado!

O setor 3 é um privilégio para quem gosta de escalada em móvel. Um lugar para ser freqüentado caso queiramos trazer algo mais duradouro para a vida. 

Leia mais em: 

(1) SANTOS de ARMAS, C. Seres humanos e natureza, um estudo a partir de uma prática corporal de aventura. Monografia de graduação em Educação Fisica. Curitiba, 2007. Universidade Federal do Paraná. 

(2) PADILHA, E. São Luis do Purunã. In: São Paulo, Revista Headwall, n. 7, 2003, p. 44-53. 

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