Por Edson Struminski (Du Bois)
Já tive a oportunidade de comentar, neste meu blog, sobre percepções que tenho tido a respeito do desenvolvimento do montanhismo. Embora eu entenda que os centros tradicionais deste esporte como Curitiba, São Paulo ou Rio de Janeiro sempre terão um papel importante no esporte, me parece mais ou menos claro que em muitos pontos no interior do país estaremos cada vez mais vendo surgir, do dia para a noite, por assim dizer, novos polos para a prática do esporte, que poderão competir com os tradicionais em atrativos. Apenas para citar alguns locais que tem este perfil no sul do país, eu relacionaria Londrina e Ponta Grossa no interior do Paraná, Caçapava do Sul e Bagé no Rio Grande do Sul, São Francisco e Alfredo Wagner em Santa Catarina. Nestes lugares é possível constatar a descoberta de locais de escalada, uma rápida organização de grupos de escaladores, abertura de número expressivo de vias e geração de subprodutos como espaços de divulgação na internet, catálogos de escalada, encontros de escaladores e uma estruturação mínima para atender estas pessoas, como clubes, camping, trilhas, etc.
Rio dos Cedros, uma cidade situada na serra catarinense entre Blumenau e Jaraguá do Sul é também um lugar que se enquadra nesta categoria.
O acesso um pouco difícil por estradas não muito seguras às áreas de escalada de Vale dos Ventos acaba compensando pela beleza e singularidade da rocha do morro do rio Bonito, uma formação dupla, uma espécie de bolo com cobertura de creme, em que uma base granítica é coberta por uma capa de arenito que forma um grande teto e que permite a escalada em móvel mesmo em dias de chuva. É possível, com um pouco de imaginação, vislumbrar um momento, em que a ação da chuva e dos rios irá provocar a corrosão completa desta capa de arenito até que só reste o granito em uma forma muito pouco diferente da atual, que é o que já aconteceu no litoral de Santa Catarina.
Na realidade, atualmente estas belas e singulares formações rochosas são a borda de um grande planalto interior, então quando a gente sobe suas paredes ou trilhas o que se vê mesmo é uma grande massa florestal, um grande interior a perder de vista e não um cume particular.
Nesta época do ano (verão) chove muito em Santa Catarina (de meia em meia hora chove 15 minutos). Os rios estão cheios, transbordantes, as trilhas um pouco enlameadas e seja lá o que você vai fazer no lugar, escalar ou caminhar, terá de contar com esta possibilidade. Mas é possível escalar em muitas vias por conta do teto de arenito e também fazer belas caminhadas, fruto do esforço de nossos parceiros catarinenses nas pedras. De qualquer modo acho importante respeitar a ética local. As escaladas em móvel valorizam a preservação da beleza das linhas da rocha
Escaladores são bem vindos na região. Belas cachoeiras, uma floresta bem conservada e paredes belas e atraentes são os motivos para deixar o comodismo de lado e se aventurar no Vale dos Ventos.
