Edson Struminski (Du Bois)
A trilha do morro do Canal é um trajeto usado por montanhistas há muitos anos nesta montanha situada no fim da Serra do Marumbi. O pessoal da Associação Caiguava de Pesquisas faz parte do “Adote uma Montanha” e tem desenvolvido um trabalho profícuo de manutenção de trilhas nas montanhas desta região há alguns anos. Reconheço algumas originalidades muito interessantes neste trabalho como a construção de mini-pontes de madeira que transpõem buracos e também vi trabalhos inspirados em coisas que foram feitas no Anhangava e no Marumbi, como contenções de erosão com pedras e tábuas de madeira e degraus de ferro.
O Canal deve ter sofrido um tipo de incêndio forte e devastador há cerca de 30 ou 40 anos atrás. Os solos que sustentam a vegetação desta montanha são pobres e a recuperação é muito lenta. Espécies oportunistas como samambaias e bambus (até onde eu percebi são 4 espécies diferentes) ocuparam os espaços de luz disponíveis e apenas muito lentamente as árvores conseguem furar o bloqueio e buscar uma luz mais alto, acima dos bambus.
O que começamos a fazer no morro do Canal agora, tem algo destes trabalhos anteriores, mas também traz uma abordagem totalmente nova em se tratando de trilhas em montanha. Uma revolução em termos de ecologia de trilhas, se é que posso usar esta imagem.
De fato, é possível que muitos de vocês que eventualmente venham a andar nesta trilha agora, acabem ficando até mesmo chocados com o fato de que a trilha do morro do Canal está hoje aparentemente muito mais “aberta” do que o normal, ou pelo menos do que era conhecido como normal até o momento, ou seja, uma trilha com grande quantidade de vegetação que chegava mesmo a dificultar os movimentos.
Esta vegetação está sendo retirada das margens da trilha. Não toda a vegetação esclareça-se, apenas aquela que tem caráter oportunista e costuma gerar uma serrapilheira (resíduos vegetais) altamente inflamáveis e portanto com alto potencial para ocasionar incêndios.
Este trabalho tem nos trazido impressões surpreendentes. É comum estarmos executando o trabalho de corte de bambus e nos defrontarmos com uma muda de uma árvore importante, digamos uma canela ou uma erva-mate, típicas deste ambiente de Floresta Atlântica e esta muda estar totalmente deformada pela falta de luz. Neste momento acabamos realizando um trato cultural qualquer (poda de galhos, escoramento) que provavelmente deverá ter resultados benéficos rápidos para esta árvore.
Na verdade estamos iniciando na beira da trilha um trabalho que deverá se refletir, cada vez mais, nos próximos anos neste lugar. Uma florestinha deverá ir gradativamente tomando o lugar do bambuzal e um “túnel de árvores” deverá ir acompanhando o excursionista montanha acima. Claro que o ideal seria não apenas ter uma estrutura, por assim dizer, artificial relacionada à vegetação, ou seja este túnel para as pessoas passarem. Mas no momento a trilha apresenta uma situação com efeito de borda muito acentuado. Se a gente conseguir inibir a ocorrência de incêndios nesta borda, a futura floresta, como um todo, desta montanha, irá se beneficiar.
A trilha do morro do Canal é bastante declivosa (em torno de 45o de inclinação). Trabalhos de calçamento começarão a ser feitos e este trajeto se tornará mais seguro e confortável, ou seja, dentro de certos parâmetros usuais em trilhas de alto tráfego.
Também devo dizer que sinto um enorme respeito pelos meus parceiros de trabalho nesta tarefa, todos montanhistas: Pajé e Fábio, moradores do morro do Canal, Tomi, meu vizinho aqui do morro do Anhangava e Daniel Lange, que adotou o Canal como segunda casa. Eles não só entenderam o espírito do trabalho como abraçaram a causa de recuperação desta trilha em particular (também trabalharam na trilha da Chaminé), como uma causa do montanhismo paranaense e em prol de uma montanha paranaense e não apenas como mais um trabalho remunerado a ser executado em um lugar difícil.
Andar com montanhistas executando um trabalho destes representa uma garantia de bons momentos. Vez por outra uma pausa para um mate ou para ver um boulder novo que alguém descobriu. Apreciar a abertura da paisagem ou usar a imaginação para fazer uma simulação da floresta futura.
Olá Dubois! Parabéns por mais uma iniciativa pioneira em prol da corservação das nossas montanhas. Quanto mais vocês dedicam seu precioso tempo e esforço nestes maravilhosos trabalhos, melhores serão os frutos e o reconhecimento das gerações futuras. Mais uma vez parabéns!
Valeu a explicação cara.
Eu como leigo no assunto estava preocupado com o que tava ocorrendo no canal.
Comecei a subir o morro a uns dois anos e meio e vi a transformação da trilha com apreensão.
Mas agora estou consciente da importância do trabalho.
Parabéns.
PARABENS PELO TRABALHO E PELA INICIATIVA tenho uma inveja (sadia) de vcs pois trabalham com a menina dos meus olhos, o morro do canal e sua região, conhesso a região e não sabia quem fazia esse trabalho… parabens….