Edson Struminski (Du Bois)
Passado um mês após o lançamento deste blog já foi possível constatar alguns fatos interessantes e mesmo enterrar alguns mitos.
O mito mais significativo, que me parece, caiu por terra, é o de que os montanhistas não gostam de ler nada muito mais sofisticado do que croquis de via e estorinhas de escaladas. Esta afirmação me foi feita anos atrás por um amigo que cuidava da edição de uma publicação de montanha e que me alegou dificuldades para inserir um texto, digamos, um pouco mais intelectual para as pessoas (montanhistas) lerem.
Tenho registrado uma visitação diária de cerca de 50 pessoas neste blog. Os textos nem sempre são fáceis, reconheço. Algumas vezes posso brincar com os leitores provocando contradições para fazerem as pessoas pensarem. Mas aqui estou retomando uma tradição clássica, onde a contradição não é necessarimente uma coisa ruim e sim apenas um método para se chegar a uma nova síntese.
Também tenho procurado, junto com alguns ótimos colaboradores, discutir os temas mais variados. A meu ver não existem tabus ou dogmas que não possam ser discutidos e aperfeiçoados dentro desta nossa especial e apaixonante relação entre sociedade e natureza chamada montanhismo. Algumas pessoas mais conservadoras talvez se incomodem com o fato de que os temas mais diversos sejam “cutucados”, às vezes impiedosamente por este modesto escriba residente no próprio colo da Serra do Mar, um observatório privilegiado do montanhismo situado aos pés do nosso simpático campo escola do morro Anhangava.
Na verdade eu entendo que o montanhismo é uma atividade tão rica e inovadora dentro da cultura humana que resistirá até mesmo ao assalto das minhas imaturas pretensões filosóficas, afinal é um esporte secular e tem muito a ensinar para a sociedade, assim eu penso que o mais interessante é mesmo as pessoas lerem, irem formando suas opiniões e, aos poucos, irem trazendo seus retornos para as matérias, na forma de seus comentários ou de novas reflexões. O montanhismo tem muito a ganhar com isto e a sociedade, como um todo, também.