DOCUMENTAÇÃO DE IMAGENS DE MONTANHAParte 4: imagens brasileiras Por Márcio Bortolusso Assim como lá fora, a história da Documentação de Montanha brasileira também está relacionada com a da própria evolução da fotografia e do Montanhismo em nossas terras, atividades que nasceram quase que juntas no início do século 19, seguindo praticamente o mesmo croqui evolucionário de outros países: com as primeiras ascensões técnicas que se tem registro, a necessidade de alguns escaladores em registrar suas empreitadas e, até mesmo, as dificuldades técnicas enfrentadas e a evolução dos conceitos e equipamentos.Em geral, as primeiras ascensões montanhísticas em terras tupiniquins são da primeira metade do século 19, inicialmente de pioneiros que buscavam o simples sabor da aventura ou fins de pesquisa (levantamentos topográficos, catalogações de espécies, etc), como os registros da subida de ruralistas do período do café em morros cariocas, de aventureiros à Pedra da Gávea (1828), do botânico britânico George Gardner à Pedra do Sino (1841), da inglesa Enrieta Carstiers e alguns anônimos ao Pão de Açúcar (1817, mas alguns apontam 1871) ou mesmo do Monte Roraima pelo inglês Everard Im Thurn (1884). Os primeiros registros de montanhismo técnico no Brasil são atribuídos à algumas emblemáticas ascensões e tentativas, como da maior montanha brasileira da época, o Itatiaiaçu (ou Agulhas Negras de Itatiaia), em 1856 por José Franklin Massena, em 1878 por André Rebouças, em 1898 por Horácio de Carvalho e em 1919 pela dupla Joseph Spierling e Oswaldo Leal, estes últimos os primeiros que comprovaram atingir o Cume Principal desta montanha. Com mérito similar, um grupo liderado por Joaquim Olímpio de Miranda alcançou o ponto culminante do Pico do Marumbi em 1879 e, com pioneirismo inigualável, em 1912 o pernambucano José Teixeira Guimarães e seus bravos companheiros abriram uma das primeiras vias de escalada técnica do Brasil, até o bloco mais alto do Dedo de Deus. Os relatos e as fotos destas aventuras são considerados como os primeiros marcos da Documentação de Montanha nacional.Os registros de nosso passado foram produzidos pelos próprios escaladores, mas infelizmente eu ainda não consegui identificar qual seria a imagem de escalada mais antiga do Brasil. Em geral, estes registros datam do meado do século passado, com algumas exceções mais antigas.Tentar levantar quais seriam os principais marcos da Documentação nacional é uma tarefa ingrata, mas podemos afirmar que o embrião dos registros brasileiros surgiu nos Clubes, que possuem um papel importantíssimo nesta história, pelo incentivo à prática do Montanhismo em seus primeiros anos e por ações que estimulavam o registro das atividades de cada grupo. Tanto que muito da história nacional está guardada em seus acervos. Só dando um exemplo, o Centro Excursionista Brasileiro foi fundado em 1919, sendo o mais antigo da América do Sul, e em 1926 lançou a primeira publicação dedicada ao montanhismo no país, O Excursionista (que mais tarde virou boletim interno). Em seu valioso e impressionante acervo, relatos e imagens das primeiras ascensões ao Escalavrado, Nariz do Frade, Pico Menor de Friburgo, Garrafão, Agulha do Diabo e Face Leste do Dedo de Deus. Como o CEB, outros clubes surgiram e gradativamente a nossa história foi sendo escrita e registrada para a prosperidade, com destaque para o Centro Excursionista Rio de Janeiro (fundado em 1939) e o Clube Excursionista Carioca (1946).Bom, e pouco a pouco a Comunidade da Montanha foi se estruturando e não tardou a valorização das imagens, inicialmente por meio de simplórios informativos e exposições fotográficas sobre as excursões dos Clubes para passeio e abertura de vias.Para mim, como Documentarista de Montanha, acho que o que temos de mais representativo de nosso passado documental se deve a uma pessoa em especial: Renato José Sobral Pinto, fotógrafo que ainda nos brinda com sua presença e que completou Bodas de Ouro com suas Imagens de Montanha. Márcio Bortolusso é Documentarista de Montanha da PHOTOVERDE Produções® (photoverde.com.br) e Montanhista patrocinado pelas marcas SOLO®, WiNDSTOPPER®, GORETEX® e SNAKE®. Membro do Centro Excursionista Gravatá, adotou o montanhismo como estilo de vida há 15 anos.
DOCUMENTAÇÃO DE IMAGENS DE MONTANHA – PARTE 4 IMAGENS BRASILEIRAS
novembro 9, 2007 por blogdodubois