DOCUMENTAÇÃO DE IMAGENS DE MONTANHA
Parte 3: viagens às montanhas extremas
Por Márcio Bortolusso
Um exemplo clássico dos primeiros marcos da Documentação de imagens de Montanha talvez esteja ligado a maior delas. A Inglaterra, após fracassar nas conquistas dos dois Pólos, sabia que o seu último grande triunfo poderia vir do Chomolungma, conhecido também como terceiro pólo (ou Everest, para quem aceita). Um reconhecimento clandestino foi feito em 1913, duas malogradas expedições em 21 e 22 e uma derradeira e trágica em 1924 entraram para a história do montanhismo mundial, muito antes da primeira expedição que comprovou ter alcançado o seu cume, em 1953.
Mas com certeza muito disto se deve aos esforços do cinegrafista John Noel, que documentou para o mundo todos os pormenores das primeiras tentativas, inclusive tendo filmado as últimas imagens de Mallory e Irvine antes de desaparecerem rumo ao cume.
E talvez Noel tenha se antecipado ao seu tempo, sendo o primeiro profissional assumido deste segmento de Documentação, consciente do valor de suas imagens para o público e para a história e, inclusive, tendo fundado o que acredito ser a primeira produtora especializada em imagens de Montanha, a Explorer Films, no início do século passado.
Um nome que não pode ficar de fora dos primórdios da Documentação de Montanha é o do padre italiano Alberto Maria De Agostini, considerado por muitos como o último dos grandes exploradores das solitudes austrais. Fotógrafo e cinegrafista, De Agostini chegou na região sul da Patagônia em 1910 e por quase 30 anos batizou glaciares, escalou montanhas e, sobretudo, registrou os costumes dos últimos povos indígenas locais, antes de serem exterminados pelos europeus.
Para quem não conhece, De Agostini foi quem consagrou para o mundo o Monte Sarmiento, montanha que é o grande pano de fundo do filme Extremo Sul, o primeiro longa metragem sobre montanhismo do Brasil (ou ao menos que fala sobre). Após tentar escalar esta montanha em 1913 e 1914, o padre organizou outra expedição em 56 que obteve sucesso, apesar de que ele já estava com 73 anos, sem condições para fazer cume. Mas o legado documental de Agostini, que inclui 22 livros, representa um dos mais importantes documentos visuais sobre a história do Andinismo e das culturas da América do Sul.
Márcio Bortolusso é Documentarista de Montanha da PHOTOVERDE Produções® (photoverde.com.br) e Montanhista patrocinado pelas marcas SOLO®, WiNDSTOPPER®, GORETEX® e SNAKE®. Membro do Centro Excursionista Gravatá, adotou o montanhismo como estilo de vida há 15 anos.